terça-feira, 17 de março de 2026

REDAÇÃO JOVEM SENADOR 2026

 

Sua redação pode te levar ao Senado

seja o próximo Jovem Senador de MS

      
O programa Jovem Senador surgiu em 2011, como iniciativa institucional do Senado em promover conhecimento sobre práticas legislativas e política parlamentar. Estudantes do ensino médio da rede pública de todo o Brasil podem participar do concurso de redação, que seleciona 27 participantes — um de cada unidade da federação — para integrar a Semana de Vivência Legislativa, onde apresentam sugestões. Se aceitas pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), as propostas passam a tramitar como projetos que, se forem aprovados e sancionados, viram leis.

O tema deste ano é:

"Democracia nas redes sociais: como construir um debate saudável”

Explicando a proposta do Senado você precisa escrever um texto dissertativo-argumentativo que lhe faça refletir e os seus leitores sobre:

  • o papel das redes sociais na democracia

  • a importância do debate respeitoso

  • os riscos da desinformação e do discurso de ódio

  • a necessidade de educação midiática

Faça seu rascunho, sua versão final e entregue como atividade avaliativa do bimestre na disciplina de Leitura e Produção Textual.
Data final: 15/04 na folha do concurso da redação.

segunda-feira, 9 de março de 2026

CRÔNICA ARGUMENTATIVA

 



CRÔNICA 1 

Notícia de jornal

Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.

Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.

Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.

O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem deu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.

Não é de alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.

E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.

E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.

Morreu de fome.

(Fernando Sabino. A mulher do vizinho. 17 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997.)


Crônica 2

A CARA DE PAU DO BRASILEIRO

           A honestidade do brasileiro é muito questionável. Claro que não podemos generalizar, mas faz parte do povo ter esse jeito malandro.
            Outro dia, quando eu estava conversando com uma amiga minha, ela me contou que adorava viajar com a avó dela. Diferente do que você imagina, ela não gostava de ter uma companhia materna, mas sim de não ter que encarar esperas durante a viagem. “A melhor parte é no embarque, quando vemos aquela fila gigantesca, típica de Guarulhos, mas, como ela é idosa, podemos entrar na frente.
            Acho que todos nós já nos deparamos com alguém assim, não é? Alguém que pagou pela carteira de motorista ou por um diploma, a mulher que fingiu estar grávida, etc. Eu, pelo menos, sempre me deparo com esse tipo de situação no Shopping Paulista, por exemplo, naquelas vagas preferenciais pintadas perto do elevador. Ali é um fingimento e oportunismo só. Na minha escola, também era comum que os estudantes se fizessem de doentes para utilizar o único elevador.
            Eu acredito que deve haver privilégios para idosos, gestantes e deficientes, claro, mas também acho que faz parte do brasileiro tirar proveito dessas situações e que, muitas vezes, nos falta integridade e honestidade. Lá fora, em alguns outros países, é muito difícil ver alguém fingindo estar com o pé quebrado, por exemplo, mas aqui não. Aqui as pessoas mentem e se aproveitam das situações. Olhe só a corrupção escancarada no Brasil, que é criticada quando acontece no alto escalão, mas que, quando se trata de um exame de direção, poucos veem o problema.
            Você agora deve estar pensando que eu sou uma daquelas que só vê defeito nos brasileiros, não é mesmo? Mas não, eu sinceramente acho que nós temos muitas qualidades também, mas, infelizmente, já nascemos com um jeito malandro e cara de pau. Aposto que você sabe muito bem do que estou falando.

https://colband.net.br/2017/05/02/cronica-argumentativa/



Conversando sobre as crônicas...

Você acabou de ler duas crônicas do tipo argumentativa. 

A crônica argumentativa é um gênero textual híbrido, curto e jornalístico, que une a leveza da narração cotidiana com a defesa de um ponto de vista pessoal. Aborda temas contemporâneos com linguagem simples, utilizando humor, ironia e subjetividade para provocar reflexão, aproximando-se do artigo de opinião. 

Principais Características:

        Temática do cotidiano: Baseia-se em fatos comuns ou atuais.

        Argumentação subjetiva: O autor expõe sua opinião e tenta persuadir o leitor, mas de forma mais literária e artística que um artigo de opinião tradicional.

        Estrutura simples: Geralmente organizada em introdução (apresentação do fato), desenvolvimento (argumentação) e conclusão (desfecho reflexivo)

        Linguagem: Clara, objetiva e frequentemente coloquial.

        Recursos: Uso de ironia, humor, metáforas e perguntas retóricas para engajar o leitor


Compreensão inicial do texto - crônica 2

  1. Qual é o tema principal abordado na crônica 2?

  2. Segundo a autora, qual característica do comportamento de alguns brasileiros é criticada no texto?

  3. O que a amiga da narradora disse sobre viajar com a avó? Por que isso era vantajoso para ela?

  4. Que exemplos a autora apresenta para mostrar situações em que pessoas tentam levar vantagem?

  5. Em que lugar a autora diz observar frequentemente esse tipo de comportamento?

    Análise do ponto de vista da autora

    1. Qual é a opinião da autora sobre o comportamento de algumas pessoas em relação às regras e aos privilégios?

    2. A autora afirma que todos os brasileiros são desonestos? Justifique sua resposta com base no texto.

    3. Por que a autora menciona a corrupção no alto escalão político? O que ela quer comparar com isso?

    4. No trecho “Claro que não podemos generalizar”, o que a autora quer dizer com essa afirmação?


     Interpretação e reflexão

  1. O que significa a expressão “cara de pau” no contexto da crônica?

  2. Você concorda com a ideia de que algumas pessoas tentam tirar vantagem de situações no cotidiano? Explique.

  3. Na sua opinião, por que algumas pessoas agem dessa forma?

  4. Você já presenciou alguma situação parecida com as descritas no texto? Conte.

TAREFA DE CASA

Análise do gênero textual

  1. Por que esse texto pode ser considerado uma crônica?

  2. O texto utiliza exemplos do cotidiano para discutir um comportamento social. Que efeito isso produz no leitor?

Produção reflexiva 

  1. Na sua opinião, atitudes como furar fila, mentir para conseguir vantagens ou desrespeitar regras podem trazer consequências para a sociedade? Explique.

ARTIGO DE OPINIÃO - 9 ANO

TAREFA DO DIA 25/05/26 - LEIA NOVAMENTE O ARTIGO E RESPONDA EM SEU CADERNO AS PERGUNTAS: Dependência das telas: um problema cada vez mais pr...